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Especiais Nova Prata - RS, 26/02/2014 - 22:06 por Jornal Popular
Samuel Rodrigues: da infância pobre a idealizador de grandes eventos beneficentes
Confira a entrevista exclusiva que Samuel concedeu ao Jornal Popular

Com o técnico Felipão

Lembrado por muitos como um menino, que na infância aprontou muita travessura na cidade, Samuel Rodrigues foi o idealizador e organizador "Jogo pela APAE", evento que reuniu mais de 1.500 pessoas no Ginásio Municipal Luiz Antônio Rigo, na noite da segunda-feira, 17, num espetáculo de solidariedade em prol da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais, de Nova Prata. O evento contou com a presença de atletas profissionais, dirigentes e ex-atletas do Pratense, da Galera, da Seleção Gaúcha Master, da ACBF e do Concórdia, que reuniram-se para fazer um jogo de futsal em nome da solidariedade.

Samuel tem 47 anos, casado com Valéria - a quem conheceu através do futebol, quando jogava pelo Pradense - é pai de Rafael (20 anos) e de Isabela (seis anos). E se emociona ao falar da esposa e dos filhos: "Eles são o que tenho de mais importante na minha vida, são o meu bem maior".

De família pobre, Samuel teve uma infância bastante sofrida em Nova Prata. Passou necessidades financeiras e, como ele afirma, emocionais, pela falta de estrutura familiar. Superou a fase difícil de sua vida. Teve apoio - na infância - de várias pessoas e cita os amigos que o ajudaram principalmente na adolescência.

Samuel jogava como lateral direito e volante. Iniciou na escolinha do Pratense e jogou também na SER Caxias, Chapecoense, Brasil (Farroupilha), São Gabriel, Botafogo (Fagundes Varela), Ipiranga (Erechim), Oriental (Três de Maio), Veranense, Veranópolis e Pradense. Em 1993 integrou o grupo de atletas do Veranópolis, Campeão da Segundona Gaúcha, e que era treinado pelo Tite.

Encerrou sua carreira em 1994, no Pratense.


Confira a entrevista exclusiva que Samuel concedeu ao Jornal Popular.

JP - Quem é o Samuel?
Samuel Rodrigues - Samuel é uma pessoa que se lembra muito da infância, com uma fase boa, uma fase ruim... ruim pelas dificuldades que tive, principalmente na estrutura familiar, onde não tive aquele acompanhamento da minha infância, que é muito importante hoje para o ser humano, para se ser alguém lá na frente. Mas tive a compreensão de muitos amigos e, principalmente, da comunidade de Nova Prata. E eu me pego muito nas coisas que aconteceram pra mim e procuro não deixar acontecer para outros. Nova Prata está dentro do meu coração, está no meu DNA, na minha certidão, na minha identidade... Gosto muito de Nova Prata, minha infância foi aqui... minhas dificuldades tive aqui... as alegrias tive aqui. Com o tempo, eu fui me estruturando. Como jogador de futebol fui procurando ter o que não tive no começo da minha infância, de ter uma casa pra morar, uma alimentação adequada todo dia (de manhã, meio-dia e de noite)... de ter meu dinheiro pra sair, como os meus amigos tinham... Com 13 ou 14 anos eu saía e quem me pagava a entrada das festas eram eles. Então eu fui conseguindo, dentro das minhas possibilidades, ser um cara feliz. E você é feliz quando é igual aos outros, nem acima e nem abaixo. A partir dos 16 anos, quando fui jogador de futebol profissional e vivi do futebol, consegui me estruturar. Não do jeito que eu queria, pois jogador de futebol hoje você se baseia na minoria - que são aqueles caras que ganham bem, que podem dar uma casa para sua mãe, irmã, estruturar a família toda. Ainda hoje eu não tenho - não tive como jogador - e não tenho condições de dar. Uma das coisas que eu mais queria era estruturar minha mãe. Ela mora no Bairro São João Bosco - a gente tem que erguer as mãos pro céu que fizeram aquilo - pois quando a gente morava perto do Cemitério, morávamos em uma casa que não tinha banheiro, que não tinha nada, não tinha condições de dormir todo mundo dentro da mesma casa - éramos em três ou quatro irmãos... Hoje sou um cara feliz.


JP - Em que clubes você jogou?
Samuel - Iniciei no Pratense, que foi o principal time em tudo...


JP - Com que idade?
Samuel - Comecei na escolinha, aos sete anos, onde o treinador era o Pontes, era o Ademar... onde eu conheci meus verdadeiros amigos hoje, que são o Dirceu (Justi), o Cláudio (Rigotti), o Alexandre Bombardelli, o Norton Kapel, o Gustavo Cherubini (Guto). Foi aí que eles começaram a me dar uma estrutura digna e o caminho certo da vida.


JP - Como você idealizou este evento pela APAE e por quê?
Samuel - A APAE é uma entidade especial. Claro que eu não tive as necessidades que essas crianças têm, mas eu as tive de outra forma, porque o importante é você sempre ajudar e não ser ajudado. A gente sabe das dificuldades que existem e foi uma coisa que me comoveu muito. Eu tenho dito, nesses jogos pela APAE, que nós não podemos ficar passando responsabilidades, dizendo que os governos do Estado, municipal e federal têm que fazer isso... Têm que fazer, mas se eles não fizerem, a gente fazendo a nossa parte, dentro das possibilidades, se cada um fizer um pouquinho - é claro que não vamos resolver tudo - mas algumas coisas podemos resolver.


JP - Por que o evento em Nova Prata? O que te motivou a ajudar a APAE de Nova Prata?
Samuel - Eu devo isso à comunidade. Todo mundo me ajudou e a minha infância foi bem sofrida... e todo mundo me erguia, me dava uma mão, me orientava. De repente nem na parte financeira, mas na parte de pensar, de ver como é que são as coisas, de ter um rumo bom... (Pontes, Altir, Ademar, Ademir, Geraldo...). Então, Nova Prata é a minha terra, onde mora minha mãe, onde moram meus amigos... Na vida a gente tem bastante conhecidos, mas amigos temos poucos - e esses poucos amigos meus, de fé, moram aqui. Eu tenho uma identidade, uma referência com Nova Prata da qual nunca vou me esquecer. Inclusive, e tomara que demore muito, quando eu morrer, quero que meu caminho seja aqui. E o cemitério é bem ao lado de onde nasci, onde me criei...


JP - Qual a tua análise do evento realizado em Nova Prata, com a presença de mais de 1.500 pessoas, numa mobilização regional?
Samuel - Cláudia, vou te falar uma coisa: as pessoas dizem - o Samuel correu atrás, organizou... Sim, corri atrás, me dediquei muito para este evento, mas se as pessoas não vão, não adianta você fazer nada. Então, eu tenho que agradecer principalmente os patrocinadores que acreditaram no projeto e a comunidade, que acreditou no que a gente estava fazendo e para quem a gente estava fazendo, que era pra APAE. Então, o Samuel corre atrás, mas se não tiver retorno lá, nada acontece. Então, temos que agradecer primeiro de tudo à APAE, porque está emprestando o nome dela pra fazer um evento destes, porque 90% se não tem o nome da APAE aí dificilmente acontece. Temos que agradecer à APAE que nos deu a a oportunidade de assistir a esse espetáculo, um jogo como foi esse da segunda-feira (17).


JP - Tem mais algum evento agendado?
Samuel - Tem, sim. Já está inclusive marcado. Quinta-feira, antes da abertura da Festa da Uva, eu estava em Caxias do Sul, com o Dr. Aloir, o Felipão, o Washington, e a gente já marcou para o dia 13 de dezembro, no Municipal Dr. Mário Cini, um evento esportivo de futebol de campo, que são os AMIGOS DO TITE E DO WASHINGTON contra os AMIGOS DO CÁSSIO E DO GILMAR DAL POZZO. O campeonato brasileiro encerra no dia 7 de dezembro e, no final de semana seguinte, a maioria dos jogadores está por aí. É uma maneira de conseguir a presença de jogadores e fazer um evento de sucesso, como foi o do futsal.


JP - Já dá para adiantar algum nome?
Samuel - ( ... risos). Ainda não. Mas de certo já tem o Washington, o Tite... Pode ter certeza de que terão vários nomes, da dupla Gre-Nal, de São Paulo, do Rio de Janeiro...


JP - Considerações finais.
Samuel - Temos que agradecer aos patrocinadores: Lojas Bombardelli, Gama Imóveis, Prefeitura de Nova Prata, Lorencet Materiais de Construção, Vipal Instituto Social, Unimed Vale das Antas, Justi, Forte Concretos e Gráfica Agetra, pois sem eles dificilmente iria acontecer este jogo. Eles se colocaram à disposição sempre.

Agradeço também aos meios de comunicação, ao Jornal Popular - que foi o primeiro a quem buscamos para fazer esta parceria e fomos muito bem aceitos por você e pelo Caco, à Rádio Prata e Rádio Ativa e ao Correio Livre.
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